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Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém é o terceiro álbum de estúdio da banda Engenheiros do Hawaii. O disco foi gravado em julho e agosto de 1988, nos estúdios RCA, em São Paulo, e lançado em dezembro do mesmo ano pela gravadora BMG através do selo Plug, um selo que havia sido criado no ano anterior para lançamentos de bandas nacionais de rock dentro da gravadora RCA. Após a compra desta pela BMG, o selo teria vida curta já que poucas bandas lançariam sucessos e o selo era, assim, deficitário. O álbum apresenta características de continuidade em relação ao seu antecessor, trazendo a banda com uma sonoridade diversificada e, ao mesmo tempo, representa uma guinada na direção de um som mais próximo ao de power trios clássicos, com mais peso e distorção na guitarra e com arranjos mais simples e coesos. Durante a turnê do disco anterior, a Infinita Tour, a banda foi ganhando muito mais coesão, com Humberto acostumando-se ao seu novo instrumento e Augusto acostumando-se a tocar em uma formação de power trio. Também, foi nesta turnê que Augusto desenvolveu sua persona de palco, passando a utilizar camisas abotoadas até o pescoço, gel nos cabelos penteados para trás e óculos de armação grossa - em um estilo que ele mesmo compara a Clark Kent, o alterego do personagem dos quadrinhos da DC Comics, o superman. O grande momento de virada para a banda foi o show na terceira edição do festival Alternativa Nativa. Ele aconteceu no dia 16 de julho - durante as gravações do disco - e os Engenheiros abririam para o Capital Inicial. Entretanto, o que aconteceu foi que a apresentação deles foi muito boa e energética e, no dia seguinte, toda a imprensa publicou que eles haviam engolido a atração principal. Muito significativa foi uma reportagem do Jornal do Brasil, chamada "Vitória dos Dândis". Enquanto a banda ainda fazia shows da última turnê e, também, para a gravação deste disco, Augusto desfez-se do seu amplificador Fender Twin Reverb e adquiriu um modelo da Mesa Boogie, que era considerado mais versátil e capaz de produzir tanto sons limpos quanto distorções pesadas. Assim, Licks poderia utilizar-se de pedais para alternar entre os sons, o que facilitava na hora de tocar ao vivo. Também, este é o primeiro disco em que Humberto traz as ideias de arranjo - inclusive de bateria - praticamente prontas, gravadas em uma fita. Ao final, apenas duas músicas entre as ensaiadas ficaram de fora do disco: "Palitos de Fósforo" chegou a ser gravada, mas teve problemas com Carlos e Humberto acelerando o andamento, o que impossibilitou que o vocal fosse gravado e levou a banda a desistir da canção; "Visão", música e letra de Augusto, só chegou a ser ensaiada, não tendo havido tentativa de gravá-la. As gravações se deram nos meses de julho e agosto. Após, o produtor propôs que o álbum fosse mixado em Los Angeles, mas o grupo escolheu mixá-lo nos estúdios da Som Livre, no Rio de Janeiro. O projeto gráfico da capa ficou a cargo do baterista, Carlos Maltz. A ideia era utilizar fontes góticas em um fundo vermelho com símbolos pretos e dourados para remeter a uma estética do Terceiro Reich, mas substituindo uma eventual suástica pelo símbolo hippie da paz. Assim, sugeria-se que até mesmo uma cultura que pregava "paz e amor", com um conceito bem-intencionado e libertário, poderia ser reapropriada para fins totalitários. Neste sentido, a capa era inspirada pelo conceito do filme Pink Floyd – The Wall: um artista pop que vai se afastando cada vez mais da realidade e que leva uma multidão de fãs a segui-lo em uma aventura totalitária. Entretanto, poucas pessoas perceberam as intenções do grupo. A contracapa acabou chamando mais a atenção por ser uma autorreferência à contracapa do álbum anterior, cuja imagem fazia parte também daquela, o que mostrava que esta era uma intenção do grupo: chamar a atenção para a característica de produto que o disco tinha, isto é, para a sua produção em série. Assim, também, o duplo sentido das engrenagens: remetiam ao nome da banda, mas, ao mesmo tempo, faziam referência a linhas de montagem. Tudo isso corroborava a postura da banda de tentar não se levar muito a sério e de se assumir como um produto. Por último, foi notado pelos biógrafos como é neste disco que um mapa do Brasil substituiu o cenário bucólico do Pampa no fundo das fotos do álbum - como se deu nos dois primeiros discos - antecipando a mudança do grupo para o Rio e a nacionalização da banda. A faixa-título inicia com diálogos inaudíveis que são interrompidos pela risada de Gessinger. Trata-se da gravação de uma conversa entre Humberto e Maluly com este último dizendo ofensas e palavrões a um funcionário da gravadora - o que fez com que Gessinger risse. "Sob o Tapete" é a primeira parceria entre Humberto e Augusto. Em um ensaio em Porto Alegre, Gessinger entregou uma folha datilografada com uma letra para Licks. No ensaio seguinte, o guitarrista trouxe a folha musicada, inclusive com uma linha de baixo. Lado A 1. "Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém" 3:04 2. "Cidade em Chamas" 3:13 3. "Somos Quem Podemos Ser" 2:38 4. "Sob o Tapete" Humberto Gessinger / Augusto Licks 3:20 5. "Desde Quando?" 2:28 6. "Nunca se Sabe" 3:11 Lado B 1. "A Verdade a Ver Navios" 2:59 2. "Tribos e Tribunais" Humberto Gessinger / Augusto Licks 3:41 3. "Pra Entender" 2:49 4. "Quem Diria?" 3:07 5. "Variações sobre um Mesmo Tema" Humberto Gessinger / Augusto Licks 5:18 Duração total: 35:54
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