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terça-feira, 4 de agosto de 2026

LP Engenheiros Do Hawaii Ouça O Que Eu Digo Não Ouça Ninguém

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Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém é o terceiro álbum de estúdio da banda Engenheiros do Hawaii. O disco foi gravado em julho e agosto de 1988, nos estúdios RCA, em São Paulo, e lançado em dezembro do mesmo ano pela gravadora BMG através do selo Plug, um selo que havia sido criado no ano anterior para lançamentos de bandas nacionais de rock dentro da gravadora RCA. Após a compra desta pela BMG, o selo teria vida curta já que poucas bandas lançariam sucessos e o selo era, assim, deficitário. O álbum apresenta características de continuidade em relação ao seu antecessor, trazendo a banda com uma sonoridade diversificada e, ao mesmo tempo, representa uma guinada na direção de um som mais próximo ao de power trios clássicos, com mais peso e distorção na guitarra e com arranjos mais simples e coesos. Durante a turnê do disco anterior, a Infinita Tour, a banda foi ganhando muito mais coesão, com Humberto acostumando-se ao seu novo instrumento e Augusto acostumando-se a tocar em uma formação de power trio. Também, foi nesta turnê que Augusto desenvolveu sua persona de palco, passando a utilizar camisas abotoadas até o pescoço, gel nos cabelos penteados para trás e óculos de armação grossa - em um estilo que ele mesmo compara a Clark Kent, o alterego do personagem dos quadrinhos da DC Comics, o superman. O grande momento de virada para a banda foi o show na terceira edição do festival Alternativa Nativa. Ele aconteceu no dia 16 de julho - durante as gravações do disco - e os Engenheiros abririam para o Capital Inicial. Entretanto, o que aconteceu foi que a apresentação deles foi muito boa e energética e, no dia seguinte, toda a imprensa publicou que eles haviam engolido a atração principal. Muito significativa foi uma reportagem do Jornal do Brasil, chamada "Vitória dos Dândis". Enquanto a banda ainda fazia shows da última turnê e, também, para a gravação deste disco, Augusto desfez-se do seu amplificador Fender Twin Reverb e adquiriu um modelo da Mesa Boogie, que era considerado mais versátil e capaz de produzir tanto sons limpos quanto distorções pesadas. Assim, Licks poderia utilizar-se de pedais para alternar entre os sons, o que facilitava na hora de tocar ao vivo. Também, este é o primeiro disco em que Humberto traz as ideias de arranjo - inclusive de bateria - praticamente prontas, gravadas em uma fita. Ao final, apenas duas músicas entre as ensaiadas ficaram de fora do disco: "Palitos de Fósforo" chegou a ser gravada, mas teve problemas com Carlos e Humberto acelerando o andamento, o que impossibilitou que o vocal fosse gravado e levou a banda a desistir da canção; "Visão", música e letra de Augusto, só chegou a ser ensaiada, não tendo havido tentativa de gravá-la. As gravações se deram nos meses de julho e agosto. Após, o produtor propôs que o álbum fosse mixado em Los Angeles, mas o grupo escolheu mixá-lo nos estúdios da Som Livre, no Rio de Janeiro. O projeto gráfico da capa ficou a cargo do baterista, Carlos Maltz. A ideia era utilizar fontes góticas em um fundo vermelho com símbolos pretos e dourados para remeter a uma estética do Terceiro Reich, mas substituindo uma eventual suástica pelo símbolo hippie da paz. Assim, sugeria-se que até mesmo uma cultura que pregava "paz e amor", com um conceito bem-intencionado e libertário, poderia ser reapropriada para fins totalitários. Neste sentido, a capa era inspirada pelo conceito do filme Pink Floyd – The Wall: um artista pop que vai se afastando cada vez mais da realidade e que leva uma multidão de fãs a segui-lo em uma aventura totalitária. Entretanto, poucas pessoas perceberam as intenções do grupo. A contracapa acabou chamando mais a atenção por ser uma autorreferência à contracapa do álbum anterior, cuja imagem fazia parte também daquela, o que mostrava que esta era uma intenção do grupo: chamar a atenção para a característica de produto que o disco tinha, isto é, para a sua produção em série. Assim, também, o duplo sentido das engrenagens: remetiam ao nome da banda, mas, ao mesmo tempo, faziam referência a linhas de montagem. Tudo isso corroborava a postura da banda de tentar não se levar muito a sério e de se assumir como um produto. Por último, foi notado pelos biógrafos como é neste disco que um mapa do Brasil substituiu o cenário bucólico do Pampa no fundo das fotos do álbum - como se deu nos dois primeiros discos - antecipando a mudança do grupo para o Rio e a nacionalização da banda. A faixa-título inicia com diálogos inaudíveis que são interrompidos pela risada de Gessinger. Trata-se da gravação de uma conversa entre Humberto e Maluly com este último dizendo ofensas e palavrões a um funcionário da gravadora - o que fez com que Gessinger risse. "Sob o Tapete" é a primeira parceria entre Humberto e Augusto. Em um ensaio em Porto Alegre, Gessinger entregou uma folha datilografada com uma letra para Licks. No ensaio seguinte, o guitarrista trouxe a folha musicada, inclusive com uma linha de baixo. Lado A 1. "Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém" 3:04 2. "Cidade em Chamas" 3:13 3. "Somos Quem Podemos Ser" 2:38 4. "Sob o Tapete" Humberto Gessinger / Augusto Licks 3:20 5. "Desde Quando?" 2:28 6. "Nunca se Sabe" 3:11 Lado B 1. "A Verdade a Ver Navios" 2:59 2. "Tribos e Tribunais" Humberto Gessinger / Augusto Licks 3:41 3. "Pra Entender" 2:49 4. "Quem Diria?" 3:07 5. "Variações sobre um Mesmo Tema" Humberto Gessinger / Augusto Licks 5:18 Duração total: 35:54

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

1° Edição CD Engenheiros Do Hawaii Simples De Coração 1995

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1° EDIÇÃO ORIGINAL DE 1995, CAPA ADESIVADA COM O NOME DA BANDA

Simples De Coração é o sétimo álbum de estúdio do Engenheiros Do Hawaii.
Após a gravação do último álbum ao vivo, Filmes De Guerra, Canções De Amor, o clima na banda que já estava pesado, foi piorando de vez com a nova turnê. Assim, alguns dias após o último show no final de novembro de 1993, Augusto Licks foi informado em uma reunião com a empresária do grupo e o baterista Carlos Maltz que a banda havia acabado. Entretanto, nos dias seguintes, Augusto foi percebendo pelas notícias que saíam nos jornais que aquilo não era verdade: era apenas um subterfúgio para excluí-lo do grupo e colocar um novo guitarrista para que a banda continuasse. Assim, Licks entra em contato com uma advogada que traça uma estratégia: registrar o nome da banda - o que não havia sido feito ainda pelo grupo - para poder processar os ex-companheiros de banda e exigir reparação pela dissolução da sociedade de fato. O processo se arrastaria pelos anos seguintes e o guitarrista ganharia a ação, assim como uma indenização pelas ofensas proferidas via imprensa pelos seus ex-companheiros de banda.
Enquanto a ação judicial rolava, Humberto Gessinger e Carlos recrutam, ainda em dezembro de 1993, Ricardo Horn, guitarrista de blues e antigo membro do grupo de choro que o cantor e compositor participava quando frequentava o segundo grau no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Com esta formação em trio, o grupo sai em turnê e passa o ano seguinte inteiro fazendo shows. Entretanto, com a pausa de fim de ano, os empresários da banda passam a pressionar Humberto e Carlos para colocarem mais um guitarrista na banda, porque Horn não estava dando conta e o som da banda não estava adequado àquilo que os fãs esperavam. Assim, em abril de 1995, Fernando Deluqui - ex-membro da RPM - entra na banda e o grupo se torna um quarteto, fazendo alguns shows com essa formação. No mês seguinte, mais uma adição: Paulo Casarin, tecladista com longa carreira acompanhando grupos desde os anos 1970. Com esta formação em quinteto, o grupo faz um único show no início de julho antes de entrar em estúdio para gravar um novo disco.
As gravações iniciaram em meados de julho de 1995, no estúdio Rock House, no Rio de Janeiro. Inicialmente, a banda gravou as bases das canções que serviriam de guia para a gravação do álbum que aconteceria no resto desse mês e no seguinte no O'Henry's Studios, em Los Angeles. O álbum seria produzido por Greg Ladanyi, que já havia trabalhado com Madonna, The Jacksons, Toto, Jeff Healey, Fleetwood Mac e Dolly Parton. Com isto, diversas participações especiais aconteceram, como o percussionista cubano Luis Conte (que já trabalhou com Roger Waters e Phil Collins) que toca diversos instrumentos por todo o disco. Também, Ladanyi incentivaria o grupo a gravar uma versão em inglês do disco que nunca foi lançada, mas que acabaria tendo uma cópia em baixa qualidade vazada anos depois na internet. Ainda, as gravações marcaram uma nova postura da parte de Maltz que não mais queria apenas tocar as ideias de Humberto, mas também contribuir com composições suas. Este fato provocaria um racha entre os dois membros fundadores, já que Gessinger acreditava que as composições do colega "contaminavam" o grupo com canções que não pareciam com as outras composições da banda - as do próprio vocalista. A insatisfação do cantor e compositor rendeu o apelido de "cavalo" para ele pelo modo rude com que tratava os outros. E, enquanto a banda gravava o disco, Humberto já estava compondo as canções que fariam parte do primeiro disco de sua carreira solo.
O projeto gráfico do disco conta com as influências que Carlos Maltz trouxe para o grupo com as suas leituras esotéricas, como da psicologia junguiana e a astrologia. Assim, a fotografia do disco, bem como as roupas dos membros fazem referência a um estilo barroco com diversas simbologias como o Sagrado Coração de Jesus em espinhos e em chamas, imagens de Nossa Senhora, os jogos de claro e escuro e a profusão de corações no encarte.
O disco abre com "Hora do Mergulho" que contém um coro infantil e lembra Milton Nascimento. Na sequência, "À Perigo" é uma mistura de regionalismo gaúcho com tons de surf music. "Simples De Coração" mistura novamente regionalismo só que, desta vez, com guitarras pesadas. Em seguida, "Lance De Dados" é uma música delicada e que lembra outros momentos de folk rock na carreira do grupo. "A Promessa" é o grande sucesso do disco e tem música de Casarin. "Por Acaso" é uma balada que cita Porto Alegre e traz, novamente, um clima bem regionalista. "Ilex Paraguariensis" é mais uma com um clima regionalista cujo título faz referência ao nome científico da erva-mate e a letra da música ao consumo de chimarrão, um modo de tomar infusões da erva. Na sequência, "O Castelo Dos Destinos Cruzados" é a primeira e única música da banda a não contar com Gessinger como compositor, vocalista ou músico, tendo sido escrita por Carlos, Horn e Kléber Lúcio; cantada por Maltz e Casarin; e com o baixo executado pelo mesmo Casarin. Esta canção tem influência das leituras de Maltz de Carl Gustav Jung e astrologia - fazendo eco com o projeto gráfico, com o título fazendo referência a um romance de Italo Calvino. "Vícios De Linguagem" é uma balada com piano e órgão que tem trechos em inglês que, inicialmente, eram em português, mas que, devido à participação do grupo vocal The Waters Sisters, tiveram que ser gravados em inglês, haja vista que o sotaque do grupo era muito forte quando tentavam cantar em português. "Algo Por Você" tem música composta por Fernando Deluqui. Finalmente, a canção "Lado A Lado" foi escrita em homenagem a Francisco, sobrinho de Humberto com Síndrome de Down, e alguns dizem lembrar Roupa Nova e outros Geraldo Vandré.
O álbum foi lançado em outubro de 1995 - em CD e K7 - pela gravadora BMG através do selo RCA-Victor. Para promover o disco, foram lançados 2 videoclipes: um da canção "À Perigo" e outro de "A Promessa", grande sucesso do trabalho. Com esta promoção e uma competente divulgação e distribuição por parte da gravadora, o álbum rendeu ao grupo mais um disco de ouro, pelas vendagens superiores a 100 mil cópias no período de um ano a partir de seu lançamento.

Raro CD Duplo Engenheiros Do Hawaii 10.001 Destinos Ao Vivo Edição Limitada

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PARA COLECIONADORES

10.001 Destinos: Ao Vivo é uma coletânea do Engenheiros do Hawaii, lançado em 2001. Consiste numa reedição em formato duplo do álbum ao vivo 10.000 Destinos, lançado no ano anterior, acrescido de sete faixas adicionais, gravadas em estúdio pela nova formação dos Engenheiros. 10.001 Destinos: Ao Vivo é, até agora, o único lançamento oficial da banda no formato duplo cujo sucesso na época foi a faixa Novos Horizontes.
O disco 1 conta com as faixas ao vivo gravadas na antiga casa de shows paulistana Palace (atual Citibank Hall de São Paulo) nos dias 24 e 25 de Março de 2000, trazendo desde antigos sucessos, como Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém, Infinita Highway e Terra de Gigantes até canções recentes como A Montanha e A Promessa.
O disco 2, além das faixas de estúdio de 10.000 Destinos, traz sete regravações de estúdio, com a nova formação da banda, que trazia o guitarrista Paulinho Galvão, o baixista Bernardo Fonseca e o baterista Gláucio Ayala, além de marcar a volta de Gessinger à guitarra, após 14 anos como baixista. As canções regravadas fazem parte dos discos Tchau Radar!, Simples De Coração e Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém e até do próprio álbum anterior, 10.000 Destinos, além da regravação de duas músicas do repertório do álbum Humberto Gessinger Trio.

Existem alguns CDs de bandas brasileiras bastante raros, e 10.0001 Destinos é um deles. O álbum duplo alcança valores bastante expressivos em sites de vendas. Mas por que esse CD é tão raro?
Essa nova edição veio com uma nova capa na cor roxa, e o que faz de 10.001 Destinos um disco tão raro e disputado é que ele teve apenas uma tiragem limitada e nunca mais foi relançado pela banda. Quem tem não se desfaz e quem não tem corre atrás.
Além da capa e das faixas extras, também o encarte foi reformulado com uma nova arte.
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